ECOS POÉTICOS


Da escritora  Frahm Torres, o livro Ecos Poéticos, é um chamado para ouvirmos nossa essência humana e transcendente, uma essência elaborada pela seiva poética da vida e da criação.

Eis aqui um convite para nos colocarmos nos “umbrais da cidade” e “derramarmos poesia nos telhados”.


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Lançando-se ao mundo da literatura (publicada em formato de livro) agora, Frahm escreve desde a sua mais tenra idade, pois a palavra/o mundo

das letras sempre a encantou.


Mulher de voz altiva em defesa de suas ideologias, uma voz importante na política local, principalmente, em defesa das classes sociais menos favorecidas, ela se lança na literatura (publicada) com o mesmo ímpeto, vontade e firmeza com que age na sua vida (política, social, sentimental etc.).


Sua poesia é leve, mas também aguda, quando toca no que tem de tocar. Do próprio fazer literário, ao cotidiano, passando pelo amor, intimidade, até pelas questões sociais/políticas, a sua poesia flui.


Para falar sobre o seu fazer poético, ela recorre à Penélope, afinal os verbos “escrever” e “tecer” têm a mesma origem — “Revelando poema em cor/ dos suspiros da poeta/ no tear das letras/ da Penélope tecelã” (do poema Penélope).


Ao ler Toda poesia, lembrei-me de José Paulo Paes, quando diz que “em tudo há poesia”. A poeta diz: “a sede de justiça/ a fome de pão/É poesia [...]/A cabeça na lua/o pão que sacia/ É poesia [...]/ A mão estendida/o jardim abrigo/o amor não vivido/É poesia”.


O jogo de palavras presente em “Amoresia”, neo- logismo a partir de “amor” e “poesia”, fala das idas e voltas do amor, numa sempre rotação universal (lembrando outro poeta): “Chegadas e partidas/cais e porto/ancoradouros de saudades/ e sonhos idos/a maré está cheia/ de corações partidos”.


Outro jogo de palavras interessante, encontra-se no poema Maturidade, em que a poeta brinca com as palavras “meia” e “inteira”: “À meia-luz/ À meia- noite/À meia-idade/ Um amor inteiro...”


O poema Arrebol é o prenúncio da esperança: “Vou anunciar nos beirais [...]/ Derramar poesia nos telhados [...]/Cantar a alegria ao Sol/ nos umbrais da cidade [...]/ A tua luz incide/ na luz do meu arrebol”.


Comparo a poética de Frahm à de Rosália de Castro, no que se refere a ser um canto (de esperança). Frahm canta suas raízes, sua identidade, e por que não dizer que sua poesia é também uma bandeira para defender suas ideologias/sonhos de um mundo melhor e mais igualitário?


Poesia é luta, é militância, é resistência, é existência! 

Com o livro Ecos poéticos, Frahm diz: “Eis-me aqui!”. E eu digo: “Evoé”!


Anna Liz

(poeta, cronista, presidente da AJEB/MA)







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